Me alcança a colher, por favor?

“Empresta uma caneta?”

Tem alguma moeda ai?

“Me dá um pedaço desse bolo?

Posso usar o banheiro?

Constantemente e muitas vezes sem nos darmos por conta, estamos pedindo algo uns aos outros. Pedimos licença, informações, favores. Pedimos apoio de todos os tipos. Pedimos aos amigos(as), aos namorados(as), aos chefes, ao(à) atendente da padaria e da lanchonete. Alguns pedidos são mais expressivos do que outros: pedimos empréstimos ou que alguém cuide de nosso gato por um período, mas também pedimos abraços ou uma xícara de café.

É através dessas interações que estabelecemos algo muito importante: a construção e manutenção das nossas relações.

Segundo Amanda Palmer, famosa artista norte-americana e mobilizadora de multidões, “pedir é, em si, o elemento fundamental de qualquer relação”.

Após levantar mais de 1 milhão de dólares para sua campanha de crowdfunding em 2012 , Amanda vem espalhando pelo mundo um aprendizado iniciado ao longo dos anos em que trabalhou como artista de rua: a importância de confiar e de não ter vergonha de pedir e aceitar o que as pessoas querem dar. Sua compreensão a respeito das relações humanas, compartilhada com detalhes em seu livro “A Arte de Pedir”,  é uma super inspiração para nós e principal referência deste artigo, por sua grande aplicabilidade na vida produtiva dos(as) fazedores(as).

 

pedir é, em si, o elemento fundamental de qualquer relação”.

Por que para a maioria das pessoas é difícil pedir?

O que parece é que não é tanto o ato de pedir em si que incomoda as pessoas, mas sim um sentimento que está por trás disso: a vergonha, o medo de parecer vulnerável e não ser merecedor(a) dessa ajuda.

Na busca pela maior compreensão destes sentimentos, encontramos um longo e profundo estudo desenvolvido por Brené Brown, escritora-investigadora na Universidade de Houston (USA), que ousou desvendar a origem da vergonha e da vulnerabilidade e seus desdobramentos na vida cotidiana.

A escritora parte diz que a capacidade de nos sentirmos conectados(as) é o grande propulsor da energia humana e o que instiga todas as relações do mundo. Se existe necessidade de conexão, o medo de que isso não aconteça é verdadeiro. A partir daí que Brené explica a origem do sentimento de vergonha: pelo medo da desconexão. É como se houvesse uma crença, mesmo que despercebida, de que possa existir algo sobre você, que se as pessoas verem ou souberem, te tornará não merecedor(a) da relação.

Segundo Brené, a maior dificuldade de conexão é o pensamento de não merecimento dessa conexão

O que isso tem a ver com sua campanha?

Campanhas de financiamento coletivo contínuo passam por uma situação bem peculiar quando o assunto é divulgação e promoção. Quando passa o período de excitação do lançamento e o projeto deixa de ser “novidade”, há uma queda no investimento de energia para exposição, divulgação e compartilhamento dos movimentos das campanhas.

Percebemos que em um certo momento as pessoas “travam” com medo de incomodar e irritar o seu público com as publicações, o que prejudica tanto a conversão de apoios quanto, e principalmente, o potencial de conexão existente nesse processo de comunicação.

O principio do financiamento contínuo é justamente o estabelecimento de relações de longo prazo. 

A internet e a disponibilização de conteúdos online estão permitindo uma grande revolução na maneira das pessoas se relacionarem.

Se pensarmos a partir do mundo da produção criativa, seria algo como uma possibilidade de reconstrução das relações entre o público e artistas de antigamente, antes do ~Estrelismo Superstar Intocável – pessoas estabelecendo conexões mais próximas, onde quem produz é capaz de VER seu público e ser reciprocamente VISTO.

A revolução online não só resgata antigas formas de interação como também cria novas, expandindo seus efeitos para os diversos tipos de fazedores e fazedoras que formam hoje a comunidade do APOIA.se.

 

Produtores(as) de conteúdos, youtubers, blogueiros(as), quadrinistas, jornalistas, invencionistas, artistas, empreendedores(as) sociais e tantos mais fazedores(as): é importante estarem dispostos(as) a serem vistos para poderem ver quem está com vocês.

 

Vocês merecem fazer parte dessa relação!

 

Sim, é preciso ter coragem para se apresentarem com autenticidade para o seu público, assim como aceitar a existência de algum nível de vulnerabilidade ao se disporem a investir, sem medo, em novas relações sem certezas nem garantias, assumindo a possibilidade de correr riscos. Muitas vezes o risco é o principal custo de conexão humana.

Ao se aproximar do seu público é fácil perceber como existem pessoas dispostas a ajudar, e não são poucas. Muitas vezes o que falta para elas é uma OPORTUNIDADE.

“Todos os dias ao realizar o simples ato de pedir algo pra alguém, você acaba de estabelecer uma conexão.”

Quando há conexão, esse desejo de ajuda é evocado nas pessoas.

Acredite verdadeiramente na legitimidade do seu pedido e peça apoio! Com autenticidade, honestidade e gratidão, o pedido assume a possibilidade de ajuda mútua e é isso que converte o incômodo e irritação do pedido que exige, em uma via de mão dupla onde a relação é de ganha-ganha.

Você é merecedor(a) dessa relação, pois quando um(a)  o outro(a) a conexão é mútua.

 

“O verdadeiro crowdfunding não consiste em confiar na bondade dos desconhecidos; consiste em confiar na bondade do seu povo (Amanda Palmer)”

Arrisque, confie, peça apoio!

 

Ilana é agente de comunidade do APOIA.se.
Psicóloga de formação, vive e trabalha com o que mais gosta: o fenômeno humano e seu potencial criativo de transformação. É amante da música, da sensibilidade da palavra e da lua.

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