A ideia de juntar um monte de gente para financiar projetos parece ser bem mais antiga do que podemos imaginar: desde o século XVII, com a construção da Estátua da Liberdade em Nova York, passando pelo século XVIII onde mercadores irlandeses promoviam microfinanciamento para produtores rurais da região, ou na construção do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro em 1921, pessoas unem forças para financiar iniciativas de interesse coletivo.

Em todos esses casos – dentro dos limites e especificidades da época e do local –  a possibilidade de crowdfunding (financiamento feito por multidões) mostrou sua natureza colaborativa e altamente democrática. No caso da Estátua da Liberdade, 75% das pessoas deram menos de 1 dólar para concretizar o projeto [1]!

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O avanço tecnológico e da internet expandiu vários limites e transformou a forma com que as iniciativas são realizadas, consumidas e também financiadas.

Quando pensamos que um simples celular é uma ferramenta capaz de produzir tantas coisas – vídeo, áudios, transmissões ao vivo, registros, interações em redes sociais, conexões cibernéticas –  percebemos que o cenário de produção de conteúdo e de criações atingiu outro patamar de possibilidades. Não falamos mais apenas de botar projetos específicos no mundo, estamos falando da possibilidade de financiar continuamente fazeres criativos.

Felizmente, cada vez mais pessoas estão tendo acesso a essas possibilidades de participação mas ainda há muitos obstáculos a serem vencidos.

O Financiamento Coletivo Contínuo na realidade brasileira.

Somos um país emergente onde o acesso à internet ainda representa uma barreira a ser vencida (o percentual de lares conectados é de 59% nos centros urbanos, contra 26% nas áreas rurais [2]) e, junto a isso, o acesso à serviços bancários pela população (bancarização) ainda está em processo de expansão.

Se considerarmos que apenas 34% da população bancarizada tem algum relacionamento de crédito, isso significa dizer que essa é mais uma barreira a ser vencida. Facilitar esses acessos é fundamental para poder incluir cada vez mais pessoas nos processos democráticos das novas formas de se relacionar.

Outra barreira a ser considerada é, claro, o valor de cada apoio: assim como no caso da Estátua da Liberdade onde a maioria dos apoios foi de $1, o crowdfunding funciona com pequeno apoios. Pequenos mesmo. Menos que o preço de um café por mês.

Ao pensar que hoje 57% dos apoios são de até R$10, compreendemos que não é todo mundo que tem condições de fazer apoios altos continuamente, ao mesmo tempo que temos certeza que tem muita gente querendo ajudar, contribuir e fazer parte do que está sendo feito ao seu redor. Além disso, a possibilidade de diluir os valores apoiados viabiliza que uma mesma pessoa possa apoiar diversos projetos e assim fortalecer essa rede colaborativa.

Reafirmamos nossa convicção de que o crowdfunding é democrático por natureza e, enquanto ferramenta digital agente de transformação relacional, devemos fazer o máximo que pudermos para que todos e todas possam participar dessa história.

Essa é a essência do crowdfunding e isso jamais deve ser perdido de vista.

Sob essa análise, o APOIA.se se estruturou enquanto plataforma pensada para a realidade do Brasil. Com valores a partir de R$1 por mês, é possível que pessoas apoiem seus fazedores(as) preferidos(as), via cartão de crédito nacional, internacional e boleto bancário, e esses consigam viver do valor que for gerado a partir disso dessa conexão.

Isso é a possibilidade de todos fazerem parte.

É inclusão no processo.

Isso, meus amigos e amigas, é democraticamente maravilhoso.

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Colaboração: Ilana Nicilovitz

Publicitário não-praticante e, atualmente, colaborador do APOIA.se. Gosto de fazer um som, admirar os mistérios da vida e do coração.

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