Nascida em uma tribo isolada no Vale do Javari no Amazonas,  Amanari recebeu o dom da vidência, da cura e da proteção.

Ipupiara, natural de Cáceres no estado do Mato Grosso, possui capacidade física superior a de um ser humano normal e consegue respirar debaixo d’água.

Amanari e Ipupiara fazem parte de um grupo de super heróis nacionais chamado Projeto Força BR, que além de história em quadrinhos, também virou jogo de tabuleiro, cards e até um jogo de vídeogame em desenvolvimento.

Devido ao sucesso da campanha e genialidade do projeto, convidamos para uma entrevista o Fazedor da APOIA.se, Chris Pereira (foto), idealizador e produtor do Projeto Força.BR.


Como a maioria das crianças, Chris sempre teve muito presente esse universo de quadrinhos e super heróis, o que fez com que surgissem suas primeiras ideias de criação ainda na infância.

Décadas passaram e essas ideias saíram da gaveta, e nos últimos anos Chris tem investido todos seus recursos nesse trabalho. Segundo ele, todo esse investimento é com um intuito de construir  um trabalho de altíssimo nível, onde as pessoas possam enxergar em seus quadrinhos a mesma qualidade das revistas estrangeiras.

Foi uma entrevista muito bacana e cheia de aprendizados.

Chris tem usado o financiamento coletivo como ferramenta essencial do seu negócio. Quer saber como? Confere aí 🙂


1. O que te inspirou a criar o Projeto Força.BR com super heróis nacionais?

Pode parecer clichê, mas o Brasil, sempre adorei ser brasileiro. Eu nunca tive vergonha de ser brasileiro e sobretudo, eu nunca desisti do Brasil.

E eu sempre gostei muito de estudar história e cultura do Brasil, isso sempre me interessou.

E paralelamente eu sempre gostei de história em quadrinhos desde a minha infância, e a medida que a gente foi crescendo eu fui ficando um pouquinho mais insatisfeito com esses quadrinhos todos que a gente tá acostumado a consumir, pelo fato deles serem estrangeiros né. E um determinado momento eu resolvi para de consumir porque eu achava que aquilo ali não me representava mais, que realmente estava faltando algo, e que esse algo era justamente isso.

Porque será que eu não tenho uma opção dessa qualidade e desse nível aqui no Brasil? Já que eu não tinha, pq eu mesmo não posso fazer então?

E foi assim, eu desengavetei alguma ideias que eu tinha desde a minha infância e juventude, aprimorei essas ideias, fiz algumas adaptações e entrei de cabeça nessa história. Inicialmente de forma amadora, mas aos poucos eu fui contratando profissionais, todos brasileiros, e a maioria trabalhava somente para o mercado estrangeiro, e aos poucos eles foram aceitando entrar dentro do meu projeto, na medida que ele foi crescendo isso foi ficando mais fácil. 

Eu queria que meu produto final fosse competitivo com relação ao mercado, ou seja, eu não queria somente que meu produto fosse vendido meramente porque era brasileiro, eu queria que ele fosse vendido porque ele era bom mesmo.

2. Quando e por quê optou pelo financiamento coletivo?

A ideia de fazer financiamento coletivo, foi uma ideia que caiu do céu na verdade. Porque até pouco tempo eu financiava tudo do meu próprio bolso, eu venho do ramo empresarial, e graças a deus eu tinha uma oportunidade, tanto de colocar dinheiro quanto de empenhar meu tempo e meu trabalho para a produção desse projeto.

Mas é claro que com recurso próprio a coisa ia ter um limite, ela teria uma série de limitações que iam na contramão dos meus planejamentos.

 Então eu conheci inicialmente uma outra plataforma de financiamento, fiz um financiamento pontual de 30 dias. Ali eu tive um resultado um tanto quanto insatisfatório, depois eu analisei todos os resultados ali e cheguei a algumas  possíveis falhas da minha campanha. 

Então prontamente eu já procurei corrigí-las e há pouco tempo de lançar uma nova campanha eu conheci a APOIA.se e o tipo de financiamento recorrente, que me chamou muita atenção. 

Aí eu fui ver como ele funcionava e pensei que esse sim poderia ser um modelo de negócio do futuro, da qual as pessoas poderiam contribuir com valor baixos e a medida que a gente fosse recolhendo capital, a gente iria distribuindo as recompensas, ou seja, muito mais interessante que uma mera assinatura, nós criaríamos um relacionamento com essas pessoas em que elas seriam nossos produtores e nós os seus fornecedores, e juntos, sem atravessadores, iríamos decidindo qual o futuro do projeto. 

Pra onde a gente vai, o que eles querem, o que eles gostariam que mudasse e assim por diante. 

Então foi uma grande vitória, e provou-se ser uma forma muito eficiente tanto para quem está apoiando quanto para quem está encabeçando o projeto.

Pois assim nós temos uma verba para planejar e para preparar o futuro do projeto, eu diria que é um plano brilhante, porque ele não depende de nenhum recurso externo, ou seja, não depende de patrocínio de ninguém, nem de empresa, nem de empresários, nem qualquer outro tipo de captação financeira.

É o produtor conversando com os apoiadores(as) e decidindo qual é a melhor saída para o produto final, que todos querem que seja concretizado. 

Então eu diria que é muito provável que esse seja um modelo de negócio do futuro, adotada por muita gente.

Jogo de cartas do Projeto Força BR

3. Como  está sendo suas experiência com o financiamento coletivo na evolução e desenvolvimento do seu trabalho?

A plataforma da forma que ela funciona (que até então era muito nova pra mim), com os devidos ajustes que fiz na campanha está sendo fantástica.

Porque assim a gente consegue agradar o apoiador(a) mais humilde, e o apoiador(a) mais privilegiado financeiramente.

Embora tenha essa possibilidade de recompensas mais mais elaboradas para apoios mais elevados, o carro chefe, o produto principal, que no nosso caso é a revista em quadrinhos, fica ali numa margem acessível pra todo mundo. E isso que realmente importa, isso que é a força motriz do projeto. 

Até o presente momento tudo está funcionando super bem, e curiosamente até os apoiadores de faixas mais baixas, acabam tendo uma motivação de ascensão financeira pessoal para almejar as recompensas mais altas. O que é muito legal, porque acaba se tornando algo muito maior do que só ajudar a campanha.

Recompensas exclusivas da campanha

4. Além da questão  financeira, como você percebe o retorno da comunidade criada em torno do seu projeto?

Esse é um dos pontos-chaves aqui da nossa parceria né, porque além de ter o retorno financeiro que a gente precisa para tocar o projeto, a gente tem o contato direto com as pessoas. A gente vai formando uma comunidade de pessoas que está cada vez mais próxima, e  com isso a gente só tem a ganhar,  porque o público-alvo está ali em contato direto com o criador. 

Eles ajudam a nortear qual vai ser o futuro do projeto, criticar aquilo que precisa ser melhorado e sugerir novas possibilidades e saídas para alguns desafios. É como se fosse uma uma plateia cativa que a gente vai formando e vai aumentando.

A fidelização que essas pessoas têm pelo projeto acaba sendo muito maior do que simplesmente um consumidor que comprou algo sem nem saber quem está por trás de tudo aquilo.

Passa até ser um envolvimento emocional, de sonhos, de expectativas e sobretudo, de conhecimento das dificuldades de quem está do outro lado, ou seja,  uma pessoa real com problemas reais iguais a de todo mundo.

Isso acaba se tornando uma luta conjunta, de um time de pessoas que se unem por um objetivo só, que é esse sonho se concretizando.

Então é uma coisa muito especial de verdade,  é um dos pontos altos você conseguir ver e colher os resultados ali diariamente das pessoas. E uma experiência muito especial.

5) Sua campanha já bateu 4 metas, está indo pra 6ª agora. Qual dica você daria para os Fazedores(as) que estão buscando essa evolução nos seus projetos?

Essa daqui sem dúvida nenhuma talvez seja questão mais difícil, porque não existe uma resposta objetiva para ela. Mas acredito que o Fazedor(a) deva ter o mínimo de conhecimento de mercado sobre o seu produto, além de conhecimento sobre logística, produção e distribuição,  porque tudo isso tem que casar junto. Porque da mesma forma que nós aqui,  criadores, temos muita inspiração artística, também precisamos ter os pés no chão sobre a questão empresarial. 

Além disso também trago a questão do marketing, que talvez seja a parte crucial do negócio. Eu tenho uma boa ideia, mas se a ideia não chegar em quem gostaria de consumi-la ela vai ser mais uma ideia perdida no vácuo. 

Precisamos entender se existe público, onde ele está, se ele tem intenção de compra, como está o mercado, se o mercado está saturado, enfim ter um planejamento a médio e longo prazo.

No meu caso eu diria que eu tenho intenção de partir para uma saga de 20 edições e mais outros tantos produtos atrelados a essa saga, como por exemplo videogames (foto) , jogos de tabuleiro e quem sabe uma animação ou coisa dessa natureza.

O público tem que pelo menos entender que o idealizador está pensando muito além daquilo que ele está oferecendo. Mesmo que isso não se concretize,  as pessoas tem que acreditar que você pensa em investir muito mais naquilo e que não é apenas uma coisa simples e pontual que vai começar e terminar. 

Além disso busque conhecimento sobre como você pode ser uma pessoa de sucesso, que características você precisa ter para isso, quais abnegações você vai ter que assumir daqui para frente se você quiser que seu projeto chegue num patamar realmente elevado. Porque uma coisa é clara para mim, se você quer que a sua campanha dê certo,  que seu produto dê certo, você tem que ser o primeiro a acreditar nisso. Se você não acredita nisso lá do fundo da sua alma você não pode exigir que as pessoas acreditem também. 


E aí, curtiu o papo?

Não esqueça de enviar esse artigo pra aquele amigo ou amiga que tem um projeto de quadrinhos, ilustração e animação. Certamente essa pessoa vai tirar daqui um super aprendizado e inspiração.

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  1. Antonio Luiz Cordeiro Borges
    14 de junho de 2020

    O projeto forçar BR faz o coração vibrar de alegria!
    Feliz por estar apoiando algo que já nasceu grande!
    Sucesso a todos!

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