Como cobrar por ilustração de maneira independente?

Ilustração 1 de Jun de 2022

Saber como cobrar por ilustração de maneira correta ainda é um grande desafio para muitos profissionais da área. O medo de não vender o suficiente ou cobrar abaixo da média por algo que demanda tempo faz com que muitos ilustradores tenham dificuldade de precificar os trabalhos que criam.

Pensando nisso, elaboramos este artigo com dicas importantes para você saber como cobrar por ilustração e até mesmo iniciar um projeto de crowdfunding. Confira!

Como cobrar por ilustração?

Duas pessoas realizando ilustração em um iPad e também no papel.

A resposta para essa pergunta é bastante pessoal, uma vez que cada freelancer do ramo tem uma vivência e técnicas diversas para entregar o resultado final para o cliente. Além disso, antes de montar uma tabela de preços, é importante entender para quem se deseja vender o serviço prestado.

O tipo de cliente que você almeja conquistar precisa estar compatível com o valor proposto, afinal, saber como cobrar por ilustração para uma empresa não é o mesmo do que vender uma arte para um movimento social ou para ilustrar algum evento local do bairro.

Pensando nisso, separamos algumas dicas para te ajudar na precificação do trabalho. Acompanhe abaixo!

Pesquise o valor da produção e também o comercial

Antes de pensar no valor final da sua ilustração, é importante realizar uma boa pesquisa sobre os custos que estarão envolvidos na sua produção. Ou seja, o investimento em materiais, ferramentas e do espaço de trabalho impacta diretamente nos seus ganhos.

Dessa forma, antes de fechar um valor final, você deve realizar uma planilha de custos e verificar quanto será o gasto financeiro envolvido na produção. Se você utiliza a internet e a luz da sua casa para trabalhar, é importante envolver essas contas no item do espaço de trabalho, afinal, você precisa arcar com essa manutenção todos os meses.

Alguns ilustradores(a) também consideram importante realizar a precificação com base no tempo e dinheiro que você investiu para se especializar até aqui, entretanto, esse último fator tende a ser mais descartável dependendo do cliente.

Já o valor comercial precisa ser calculado com base em como seu cliente vai explorar a ilustração. Este é o momento de voltar a pensar se o trabalho está sendo desenvolvido para uma empresa ou para um movimento social da sua região, como exemplificamos no início.

Caso esteja trabalhando com ilustrações por encomenda, o cálculo do valor comercial não é recomendado, afinal, seu cliente não vai lucrar com a arte.

Calcule sua hora de trabalho

Assim como é importante pensar nos custos envolvidos na produção da ilustração, também vale calcular sua hora de trabalho, o que também representa um valor significativo para compor o valor.

Para chegar a um preço final que cubra suas necessidades com a hora de trabalho, é importante elaborar planilhas que tenham informações como:

  • Despesas pessoais mensais;
  • Investimentos e despesas profissionais;
  • Mês de férias.

Com os valores descritos, é hora de realizar a soma e dividir pelas horas trabalhadas no mês. Sendo assim, é importante pensar na sua jornada laboral durante a semana, levando em conta se esta é a sua ocupação principal ou apenas parcial.

Faça uma análise na proposta do cliente

Por fim, é importante que você tenha a liberdade de selecionar os clientes com os quais deseja trabalhar e formar sua base com foco no público-alvo. Sendo assim, é ideal que você pense na visibilidade que aquela arte vai trazer para o seu trabalho como freela e se vale a pena o tempo investido nisso.

Vale procurar fóruns de discussão com outros ilustradores para que você possa sentir melhor a realidade do mercado e não corra o risco de realizar cobranças erradas.

Como construir uma comunidade de valor para vender ilustração?

Atualmente, a internet é um meio bastante eficaz para se tornar mais conhecido pelo seu trabalho. Graças às redes sociais, diversos profissionais conseguem divulgar o trabalho que desenvolvem e a rotina de produção, para poder aumentar o engajamento, seguidores(as) e interessados(as) no serviço que é prestado.

Mesmo com a concorrência cada vez maior nas principais mídias, ainda é possível começar do zero e conseguir perceber frutos no futuro. O primeiro passo para isso tem muito a ver com a dica sobre identificar seu público-alvo antes de pensar como cobrar por ilustração.

Para ilustradores, redes como Twitter e Instagram são grandes companheiras para começar a fidelizar um público. A partir do feed, você pode começar a divulgar o seu traço com trabalhos que ilustram o cotidiano, abordem questões políticas ou até mesmo comecem a surgir através de uma história.

O compartilhamento das ilustrações faz com que você conquiste um bom engajamento orgânico – ou seja, aquele que vem voluntariamente, sem anúncios pagos –, dando assim a  oportunidade de começar a comercializar sua arte e cobrar por ilustração.

O engajamento contínuo do público também pode fazer com que você consiga iniciar um projeto de financiamento coletivo por assinatura, em que você possa continuar ampliando seu trabalho nas redes, mensalmente, com o apoio conquistado pela comunidade.

Financiamento coletivo por assinatura: como monetizar o trabalho freelance

Walt Disney cercado pelas suas criações mais famosas como o Mickey Mouse, Pluto, tio Patinhas e seus sobrinhos durante a criação da ilustração da Alice no País das Maravilhas

Uma das formas de saber como cobrar por ilustração também pode ser iniciar uma campanha de financiamento coletivo por assinatura. Esse modelo de crowdfunding funciona como um apoio mensal por parte dos contribuintes para que você continue divulgando o trabalho como ilustrador(a).

Diferentemente do que se pensa, não é preciso ter milhões de seguidores para manter um bom projeto mensal rolando em uma plataforma de crowdfunding, o apoio da comunidade que você for construindo ao longo do tempo é mais do que o necessário para conseguir uma monetização mais recorrente.

Para manter a base de apoiadores(as) e conquistar novas pessoas interessadas no seu trabalho, você pode elaborar recompensas exclusivas para quem confia no seu trabalho e realiza a assinatura.

Entre as ideias que são possíveis colocar em prática está o envio de tirinhas, quadrinhos ou outras ilustrações mais específicas para os apoiadores de maneira mais recorrente. Elas podem ser diárias, semanais, quinzenais ou um pacote englobando uma determinada quantidade a cada mês.

Além de fazer com que o(a) apoiador(a) se sinta valorizado e importante, essa é uma chance a mais de você aperfeiçoar suas técnicas e ainda conseguir se beneficiar com o marketing boca a boca, afinal, um apoiador(a) satisfeito(a) tem grandes chances de divulgar seu projeto de financiamento coletivo para outras pessoas que curtem esse nicho.

Com o aumento dos apoios ao longo dos meses, também é possível pensar em recompensas como canecas, camisetas, ecobags e caderninhos com as suas principais ilustrações. Essa é uma forma de você acabar sendo reconhecido(a) também por empresas que dependem desse trabalho e podem chamar você para projetos de médio a longo prazo.

Embora as recompensas sejam importantes, vale lembrar que o trabalho nas redes precisa continuar existindo, afinal, o engajamento nelas é primordial para render frutos para o seu projeto de financiamento e faz parte das principais dicas para manter apoiadores engajados no seu crowdfunding recorrente.

banner com imagem de um livro e os dizeres "tudo o que você precisa para ter uma campanha recorrente de sucesso" e um botão para baixar agora

Como iniciar um financiamento coletivo recorrente para ilustração?

Agora que você já entendeu um pouco mais sobre como cobrar por ilustração e se empolgou para iniciar seu próprio crowdfunding, separamos algumas dicas finais para que ele seja iniciado de maneira correta. Confira!

Faça uma boa apresentação

Além do engajamento constante na comunidade online que você construiu e em recompensas exclusivas, um bom financiamento coletivo recorrente também requer uma excelente apresentação na plataforma escolhida para essa finalidade.

Sendo assim, é importante que você utilize toda a sua criatividade e monte uma boa descrição do seu projeto. Você pode aproveitar e contar sua história por meio das próprias ilustrações, tornando ainda mais atrativo para quem for abrir a página com a intenção de apoiar.

Mantenha estratégias de marketing nas redes

Se você é um(a) ilustrador(a) com um tempo significativo nas redes e o seu público já conhece seus personagens, você pode começar a divulgar a página do seu financiamento dentro das próprias histórias.

Também vale a pena divulgar o link para o apoio sempre ao final de cada nova história. Além de não ficar algo maçante para os seus seguidores, você acaba aproveitando o bom hype da ilustração para fazer a promoção.

É possível também apostar em anúncios pagos, mas os engajamentos orgânicos sempre surtem efeito a longo prazo para a manutenção das suas redes.

Esteja sempre de olho em datas importantes e eventos que reúnem público

A ilustração também serve para demonstrar a sua interpretação de eventos, virais da internet, datas importantes, etc. Por isso, para conseguir crescer no projeto, vale dedicar a arte para esses dias mais especiais e até mesmo se manifestar politicamente.

Dessa forma, você diversifica seu público e pode receber pedidos para realizar artes de maneira exclusiva, mantendo todo o preço que já tenha sido elaborado por você lá no começo.

Com a plataforma da APOIA.se, você pode iniciar seu projeto de financiamento coletivo por assinatura cobrando a partir de R$1, o que anima sua comunidade mesmo que não possua milhares de seguidores.

Conheça o nosso Guia do Financiamento Coletivo e aprenda gratuitamente como cobrar por ilustração dentro de uma plataforma de crowdfunding.

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Marina Rodrigues

Formada em Cinema e Audiovisual na ESPM, atua como produtora executiva no mercado latino-americano.